TUDO O QUE NÃO É NATURAL É IMPERFEITO.
Napoleão Bonaparte

Como se sabe, os analgésicos são medicamentos de venda livre que ajudam a aliviar a dor e que, usados esporadicamente, não têm motivos para implicar qualquer problema.
No entanto, investigações recentes demonstraram que, ao ter uma componente anti-inflamatória, o seu consumo de modo exagerado, sem avaliar se realmente são necessários ou se se trata de mal-estar que passaria sozinho, conduziu a alguns casos de problemas cardiovasculares. Da mesma forma, mais de um ibuprofeno por semana pode provocar dor de cabeça, algo que as pessoas que sofrem de enxaqueca não costumam saber.
É preciso ter em conta que, embora estejamos a falar de medicamentos que ajudam a aliviar dores de cabeça, musculares ou artríticas, cada analgésico tem as suas vantagens e, também, os seus riscos. Por outro lado, devemos considerar que cada pessoa responde de uma maneira diferente perante cada analgésico e, portanto, existem reações diversas às suas contraindicações.
Vamos conheCer a planta?
A Hortelã é uma erva comestível que é conhecida nas ervanárias por mentha piperita e é um híbrido entre a hortelã-da-água e a balsamita; é deliciosa na sua aplicação culinária e altamente efectiva como medicamento natural. Talvez por isso se trate de uma erva que se obtém facilmente em qualquer zona e praticamente durante quase todo o ano: caracteriza-se pelas suas folhas oblongas de superfície rugosa com contornos serreados. O óleo essencial é rico em mentol e flavonoides (timomina) e os princípios ativos da hortelã são o L-carvona ( que fornece o aroma intenso), o limoneno, o betaburboneno, o cis e o transcravil acetato, o cariofileno e o 1,8-cineol, para além de componentes ácidos como taninos, betacaroteno, flavonoides, fibras minerais e vitaminas A, B1, B2, B3, B5, B6, B9 e C, delta-tocoferol, caroteno, ácido fólico, niacina, fósforo, ferro, cálcio, magnésio, manganésio e potássio.
Princípios ativos
Muitas pessoas sentem-se familiarizadas com a hortelã, já que a consumiram em forma de tisana ou elixir oral, mas poucas vezes viram nela analgésico até agora conhecido, embora como qualquer planta com potentes princípios ativos, seja ideal para o aparelho respiratório e para o aparelho digestivo. Provavelmente, o efeito nas cólicas abdominais é o mais significativo, pois também reduz a irritação intestinal, melhorando o processo digestivo no seu conjunto e o funcionamento do fígado.
Por outro lado, a hortelã tem a propriedade de regular a temperatura corporal, já que aumenta a sudoração e, portanto, ajuda a baixar a febre. Ao ser utilizada para curar constipações, aspirando o seu princípio ativo através do vapor – já que é um potente descongestionante que ajuda a expetorar a mucosidade por causa do ácido ascórbico – estimula o apetite, tanto como no caso da tisana. Da mesma forma, em alguns países, mastiga-se uma folha de hortelã para reduzir a hipobaropatia (ou mal da montanha), algo que, com frequência, ajuda tanto as crianças como os idosos. Nesta ação, o mais interessante é que melhora a circulação sanguínea e evita os vómitos. Como vantagem extra, ao mastigar refresca o hálito.
Formas de Utilização
Infusão
A infusão prepara-se colocando três a cinco folhas verdes de hortelã numa chávena com água que não ultrapasse os 80º C, deixando-a tapada durante 5 minutos. Pode tomar até 3 chávenas por dia, tanto para problemas digestivos como respiratórios. Se quiser usar durante vários dias como relaxante do estômago, o ideal é preparar uma infusão com folhas secas (cerca de 15 gramas) e tomar 3 vezes por dia, adoçando-a com estévia.Esta tisana é muito eficaz após uma refeição pesada para evitar a dor gástrica, e pode misturar folhas de lúcia-lima, em casos de dor de cabeça devido a afeções digestivas.
Vapor
O vapor de hortelã pode conseguir-se acrescentando 2 gotas de óleo essencial de hortelã ao inalador de vapor ou preparando uma infusão. Porém, a forma mais simples é acrescentar alguns ramos frescos de hortelã a uma panela de água a ferver e inalar o vapor durante 5 minutos entre 2 a 4 vezes por dia.
Loção
As loções de hortelã costumam ser muito eficazes para as dores musculares e articulatórias, e aplicam-se massajando suavemente. Também se podem aplicar como desodorizante para os pés (uma vez por dia, de manhã) e até servem de repelente de mosquitos. Não se deve usar em crianças com menos de 5 anos.
Cataplasma
A cataplasma de hortelã é ideal para a dor de cabeça: Basta acrescentar cerca de 15 gotas de óleo essencial de hortelã à argila misturada com água, sem aproximá-la dos olhos.
Colutório
Este elixir oral é muito fácil de elaborar. Basta preparar uma infusão com meia chávena de alecrim fresco ou seco e uma chávena de hortelã fresca com 250 mililitros de água a ferver. Quando estiver à temperatura ambiente, guarda-se numa garrafa de vidro tapada. É possível bochechar até 4 vezes por dia e deve voltar a elaborar o preparada a cada 4 dias.
Óleo Essencial
Os óleos essenciais são substâncias que se encontram em diferentes tecidos vegetais e que proporcionam bem-estar a todo o organismo, já que contêm as propriedades específicas da planta cujos componentes químicos nos vão servir para diferentes finalidades. Por exemplo, o óleo essencial de hortelã é o que tem uma maior capacidade analgésica. Pode ser realmente interessante elaborar o óleo essencial de hortelã para obter o seu máximo benefício e garantia de pureza, pois trata-se de uma planta de cultivo fácil, embora seja necessário cuidar dela sem acrescentar nenhum fertilizante nem antiparasitário de qualquer tipo, apenas luz e água.
Para elaborar o óleo, será necessária hortelã fresca, um saco de plástico dos que se utilizam para conservar alimentos, óleo de amêndoas, um almofariz de madeira e um recipiente de vidro escuro com tampa. Recomenda-se colher um punhado grande de hortelã fresca de manhã – quando os óleos da planta são mais potentes – e utilizar para a elaboração só as folhas que estiverem com bom aspecto e sem nenhuma mancha ou não estiverem danificadas por algum insecto. De seguida, é necessário passar as folhas por água para lavá-las meticulosamente e devem ser alinhadas numa toalha de papel. Depois de verificar que estão secas, são introduzidas num saco de plástico com fecho hermético e golpeiam-se com o almofariz de madeira para libertar o óleo que se concentra nas suas folhas. Quando estiverem trituradas, as folhas são colocadas no recipiente de vidro escuro, e junta-se o óleo vegetal de amêndoas. Com o recipiente tapado, agita-se suavemente e, depois, guarda-se num lugar seco e fresco, e deixa-se repousar durante um dia. No dia seguinte, coa-se o óleo, introduz-se numa garrafa escura e guarda-se bem fechado num lugar afastado da luz. O óleo pode ser usado d diferentes maneiras até acabar, mas deve ficar sempre afastado da luz.
Cultivo em casa
A hortelã costuma-se cultivar facilmente tanto em hortas como em jardins ou varandas, embora possa ser invasiva num ambiente propício, por isso recomenda-se plantá-la num lugar em que tenha muito espaço para o desenvolvimento.Dado que não se cultiva através de sementes, é importante saber qual é a origem da planta, tendo em conta que as melhores são as da bacia mediterrânea. A hortelã é fácil de se cuidar, pois pode ser plantada num vaso, já que requer muita água e luz direta, mas também pode crescer na sombra, se tiver humidade suficiente. Para plantar no vaso, é melhor usar uma terra de boa qualidade. Resiste bem em zonas frias – até – 15º C – , mas o vento e as superfícies argilosas podem ser prejudiciais.
Embora seja uma erva que cresce facilmente, no momento de a cortar é melhor excisar as folhas que estejam na parte de cima e escolher para utilização gastronómica as mais jovens e as que forem desejadas para o uso medicinal. É sempre preferível colher a planta de manhã, após a geada, e num dia de sol.
Caso obtenha folhas grandes, pode secá-las e utilizá-las inteiras ou partidas aos pedaços (sempre com a mão), e conservá-las num recipiente de vidro hermético, à sombra, para usá-las em infusões. Se as folhas macerarem em óleo ou vinagre, pode utilizá-las como condimento, e assim aproveitar as suas propriedades antissépticas, antiespasmódicas, anti-inflamatórias, carminativas e colagogas.
Contraindicações e interações
As grávidas, as mães lactantes ou as crianças com menos de 6 anos de idade não podem, em caso algum, consumir hortelã. Nem as pessoas que sofrem de cálculos biliares, cálculos renais, hérnia de hiato ou úlcera gástrica com acidz estomacal.
Também não se pode consumir o óleo essencial caso se verifiquem patologias de fígado, diarreia ou colite ulcerosa, e recomenda-se que as pessoas muito sensíveis aos aromas o evitem, já que podem provocar insónias ou nervosismo.